OITO PASSOS DO YOGA

 

 Descritos por Patañjali nos Yoga Sutras.

 

1º Passo – YAMA

Condutas éticas universais – a base para o convívio harmonioso com o mundo.

Os Yamas são como sementes de consciência que cultivamos na relação com os outros seres, com a natureza e com a própria vida. São cinco atitudes que nos ajudam a viver com mais integridade, respeito e equilíbrio.

Patañjali os coloca como o primeiro passo porque, sem essa base ética, todo o restante da jornada do Yoga pode se desequilibrar. Praticar os Yamas é como preparar o solo para que o Yoga floresça de maneira autêntica, profunda e sustentável.

  1. Ahimsa – Não violência

Ahimsa é muito mais do que não ferir fisicamente. É cultivar um coração pacífico, agir com gentileza, escolher palavras cuidadosas e promover ações que não causem dor aos outros seres.

Ahimsa também se aplica a si mesmo: como você se trata? Como alimenta seus pensamentos? Muitas vezes, somos mais violentos conosco do que com os outros.

Praticar ahimsa é se perguntar: o que eu faço ou penso está contribuindo para mais harmonia ou mais sofrimento?

  1. Satya – Verdade

Satya é viver com verdade — não apenas falar a verdade, mas viver de forma coerente com o que se sente e acredita.

Falar a verdade com compaixão é essencial. Se for para ferir, talvez seja melhor silenciar ou esperar o momento adequado. Satya e Ahimsa andam juntos.

Ser verdadeiro também significa não enganar a si mesmo, não viver de aparências. A prática de Satya nos convida a uma vida autêntica.

  1. Asteya – Não roubar

Asteya é não se apropriar do que não é seu — seja material ou imaterial. Roubar pode ser tirar tempo, energia, ideias ou oportunidades dos outros.

Também é não se sentir no direito de invadir o espaço alheio. A prática de Asteya cultiva o respeito e a equidade.

Interiormente, é o reconhecimento de que já temos o suficiente e não precisamos viver na escassez ou na comparação.

  1. Brahmacharya – Moderação e canalização da energia

Traduzido literalmente como “caminhar com o divino”, brahmacharya muitas vezes foi interpretado como celibato, mas seu sentido mais amplo é o de moderação consciente.

Significa usar a energia vital (sexual, emocional, mental) com sabedoria, sem desperdício ou excessos.

É agir com foco, equilíbrio e presença, sem se deixar levar por impulsos ou distrações constantes. Um praticante de brahmacharya vive com propósito.

  1. Aparigraha – Não possessividade

Aparigraha é o desapego saudável. Não é se desfazer de tudo, mas cultivar a liberdade em relação às coisas, pessoas, ideias e status.

É perceber que nada nos pertence de verdade: tudo está em fluxo. O apego gera medo e sofrimento.

Praticar aparigraha é confiar na vida, no tempo das coisas e na sabedoria da impermanência.

 Praticando os Yamas na vida cotidiana:

  • Antes de cada ação, observe: isso vai gerar paz ou conflito?
  • Seja gentil consigo mesmo e com os outros.
  • Busque ser verdadeiro, mesmo que isso exija coragem.
  • Modere excessos e cultive a simplicidade.
  • Lembre-se de que a liberdade começa com o desapego.

Os Yamas não são regras rígidas, mas propostas de transformação interna, para que possamos viver com mais paz, clareza e compaixão. Eles são a base de um caminho espiritual que respeita a vida em todas as suas formas.

 

 

2º Passo – NIYAMA

Disciplina interior – o cuidado consigo mesmo.

Se os Yamas nos ensinam a viver bem com os outros, os Niyamas são os cuidados que devemos cultivar dentro de nós. Eles orientam como manter o equilíbrio interno, fortalecer a mente e purificar o coração.

Poderíamos dizer que são hábitos saudáveis para o corpo, a mente e o espírito — sementes que, quando plantadas e cuidadas, transformam a vida de dentro para fora.

Assim como os Yamas, os Niyamas também são cinco:

🌿 1. Shaucha – Pureza

Shaucha é a prática da limpeza — externa e interna.

Externamente, envolve higiene do corpo, alimentação saudável, ambiente limpo e organizado. Mas mais importante ainda é a limpeza interior: pensamentos puros, emoções bem cuidadas, intenção clara.

Podemos praticar shaucha observando o que consumimos, o que pensamos, como falamos e o que cultivamos em nosso coração.

Um coração puro vê a beleza em tudo.

🌿 2. Santosha – Contentamento

Santosha é a arte de estar em paz com o que é.

Significa aceitar o momento presente como ele é, sem reclamar ou desejar constantemente algo diferente.

Não é se acomodar, mas viver com gratidão e confiança.

Santosha é perceber que já temos muito para agradecer — a vida, o corpo, a respiração, os encontros.

Um praticante de santosha cultiva alegria sem depender das circunstâncias externas.

🌿 3. Tapas – Disciplina com entusiasmo

Tapas é o fogo da transformação.

É a energia que nos move a praticar mesmo nos dias difíceis. É a força que nos ajuda a superar hábitos negativos e a crescer espiritualmente.

Tapas não é rigidez, mas firmeza com alegria.

É o calor que transforma a semente em flor, o impulso que nos ajuda a manter o foco, a disciplina e o compromisso com o bem.

Tapas é amar o processo, mesmo quando ele exige esforço.

🌿 4. Svadhyaya – Estudo de si mesmo e das escrituras

Svadhyaya é o autoconhecimento.

É o hábito de refletir, observar, estudar a si mesmo e também buscar inspiração nos textos sagrados, livros, poesias, orações.

Ao estudar e meditar, vamos percebendo nossas tendências, medos, padrões e, aos poucos, aprendemos a nos libertar do que não nos serve mais.

O estudo profundo é um espelho que revela quem realmente somos.

🌿 5. Ishvarapranidhana – Entrega ao divino

Este niyama nos convida a confiar na vida.

Ishvarapranidhana é entregar os frutos de nossas ações ao sagrado, sem apego aos resultados.

É lembrar que existe algo maior nos guiando — seja o Universo, a natureza, Deus, o mistério.

Ao praticar a entrega, soltamos o controle e cultivamos a humildade.

É agir com dedicação, mas com desapego. Servir, mas sem querer reconhecimento.

 Vivendo os Niyamas no dia a dia:

  • Mantenha sua mente e seu corpo limpos e leves.
  • Agradeça pelas pequenas coisas.
  • Não desista nos dias difíceis: cultive o fogo interior.
  • Reserve um tempo para se conhecer melhor.
  • Confie no fluxo da vida e ofereça suas ações ao bem maior.

Os Niyamas são como uma bússola que aponta para dentro. Eles não exigem perfeição, mas presença. São práticas simples e profundas que transformam nossa relação com o mundo interior.

 

3º Passo – ASANA

A postura estável e confortável – o corpo como morada do espírito.

A maioria das pessoas que se aproxima do Yoga conhece primeiro os asanas — as posturas físicas. Elas são importantes, sim, mas no caminho proposto por Patañjali, os asanas são apenas o terceiro dos oito passos.

No entanto, isso não diminui seu valor. O corpo é o nosso templo, e cuidar dele com respeito, consciência e presença é parte essencial da jornada espiritual.

O que é Asana?

A palavra “asana” significa simplesmente postura.

Nos Yoga Sutras, Patañjali nos diz que o asana ideal é aquele que é “sthira sukham” — firme e confortável. Isso quer dizer que a prática não é sobre contorcionismos ou exigências exageradas, mas sim sobre encontrar um lugar de equilíbrio entre o esforço e o relaxamento.

Ao praticarmos asanas com consciência:

  • Fortalecemos e alongamos o corpo.
  • Melhoramos a circulação, a respiração e a digestão.
  • Aumentamos a vitalidade e reduzimos tensões físicas e mentais.
  • Criamos um espaço interno de escuta e quietude.

Mais do que postura física, asana é uma atitude corporal que reflete serenidade interior.

🌿 A prática como meditação em movimento

Durante a prática, somos convidados a estar presentes.

Cada postura é uma oportunidade de sentir o corpo, observar a mente, respirar com atenção. Não se trata de “fazer certo”, mas de “estar inteiro”.

Mesmo em práticas mais suaves (como o Yoga na cadeira), o asana pode nos levar a um estado meditativo.

As posturas nos mostram nossos limites, nossas resistências e, ao mesmo tempo, nos ensinam a superá-los com paciência.

O corpo nos fala — e escutá-lo com carinho é parte essencial do caminho.

Benefícios profundos dos Asanas

  • Promovem saúde física e equilíbrio postural.
  • Ajudam a liberar emoções retidas no corpo.
  • Preparam o corpo para as práticas mais sutis do Yoga, como a respiração (pranayama) e a meditação.
  • Estimulam os órgãos internos, fortalecem o sistema imunológico e regulam o sistema nervoso.

🙏 Acessibilidade e respeito aos corpos

É importante lembrar que o Yoga é para todos os corpos — não importa a idade, a flexibilidade ou a condição física.

Com o uso de acessórios, como cadeira, cintos, blocos e almofadas, adaptamos a prática para que ela seja segura, confortável e transformadora.

Em vez de forçar o corpo a se encaixar na postura, adaptamos a postura ao corpo.

 

Esse cuidado é uma forma de praticar ahimsa (não violência) e de cultivar santosha (contentamento), reconhecendo onde estamos agora, com amor.

Praticando Asana com consciência:

  • Encontre uma postura confortável e estável.
  • Sinta o corpo com gentileza, sem julgamento.
  • Respire profundamente e observe as sensações.
  • Não compare sua prática com a de outros.
  • Permaneça presente, como se cada postura fosse uma oração silenciosa.

Os asanas são uma ponte entre o corpo e a mente, entre o mundo externo e o universo interior.

Quando praticamos com presença, cada movimento se transforma em autoconhecimento, e o corpo torna-se um aliado no caminho da liberdade interior.

 

4º Passo – PRANAYAMA

Respiração consciente – canalizando a energia vital.

A respiração é a ponte entre o corpo e a mente. Ela está sempre conosco desde o nascimento até o último suspiro.

Por isso, aprender a respirar de forma consciente é uma das chaves mais poderosas do Yoga.

Pranayama é esse estudo e essa prática da respiração com presença, com sabedoria e com sensibilidade.

 O que é Pranayama?

A palavra pranayama vem de:

  • Prana: energia vital, força de vida que está em tudo.
  • Ayama: expansão, controle, domínio.

Ou seja, pranayama é a prática que expande e direciona a energia vital através da respiração.

Não se trata apenas de “respirar direito”, mas de cultivar o prana, a força invisível que nos mantém vivos e conectados com a vida.

Quando respiramos com consciência:

  • Acalmamos a mente.
  • Fortalecemos o sistema nervoso.
  • Aumentamos a energia e a vitalidade.
  • Criamos um espaço de paz dentro de nós.

 

🌿 O respirar como prática espiritual

Em momentos de medo ou raiva, a respiração fica curta e agitada.

Quando estamos em paz, ela flui lenta e suave.

Perceber isso é o primeiro passo.

A prática de pranayama nos ensina que podemos escolher respirar com calma, mesmo diante de situações difíceis.

Ao controlar a respiração, controlamos também os pensamentos e emoções.

É como domar um cavalo selvagem com ternura: a mente, aos poucos, se aquieta.

            Tipos simples de Pranayama (para todos)

Existem muitas técnicas de pranayama, mas algumas podem ser praticadas com segurança por todos os alunos, especialmente com orientação.

Veja três exemplos acessíveis:

  1. Respiração abdominal lenta

Deitado ou sentado, coloque as mãos no abdômen e respire lentamente, sentindo o ar entrar e sair. A barriga sobe ao inspirar e desce ao expirar.

Muito útil para ansiedade e insônia.

  1. Anuloma Viloma (respiração alternada)

Feche uma narina com o dedo, inspire pela outra. Depois troque: feche a narina por onde entrou o ar, expire pela outra.

Essa respiração equilibra os dois hemisférios do cérebro e traz calma profunda.

  1. Suspiro consciente

Inspire profundamente pelo nariz, expire devagar pela boca, como um suspiro de alívio.

Pode ser feito várias vezes ao dia para aliviar tensões.

 

🌱 Benefícios sutis do Pranayama

  • A mente fica mais clara e serena.
  • Aumenta o foco e a presença.

 

  • Prepara o corpo e a mente para a meditação.
  • Fortalece o sistema respiratório e imunológico.
  • Desperta a consciência do momento presente.

 

🫁 Respirar é voltar para casa

Respirar conscientemente é uma forma de estar no agora.

É um convite ao reencontro com o corpo, com a alma, com a vida.

Pranayama nos lembra que não precisamos de grandes rituais para nos conectar com o sagrado — basta um momento de atenção ao ar que entra e sai.

 

️ Praticando Pranayama no cotidiano:

  • Ao acordar, respire fundo 3 vezes, com gratidão.
  • Nos momentos de estresse, pare e observe o ritmo da sua respiração.
  • Antes de dormir, pratique respiração lenta e profunda.
  • Durante a prática de asanas, coordene movimento e respiração.

A respiração é nosso instrumento mais simples e mais poderoso de cura.

Quando aprendemos a usá-la com consciência, nos tornamos mais fortes, mais calmos e mais presentes.

 

5º Passo – PRATYAHARA

Recolher os sentidos – silenciar para ouvir o essencial

Estamos constantemente voltados para fora. Vemos, ouvimos, tocamos, sentimos cheiros e sabores… Nossos sentidos são como janelas abertas para o mundo externo.

Mas e quando precisamos descansar a mente, ouvir o coração ou encontrar a nossa paz interior?

É aí que entra o pratyahara — o recolhimento dos sentidos.

 

️ O que é Pratyahara?

Prati significa “contra” ou “voltar-se para dentro”.

Ahara significa “aquilo que alimenta”.

Pratyahara é o afastamento dos sentidos daquilo que os alimenta, como o som, a luz, os cheiros, as distrações.

É como fechar as janelas da casa quando há muito barulho lá fora.

Não significa negar o mundo externo, mas aprender a desligar-se dele temporariamente para cuidar do mundo interno.

 

🌿 Por que isso é importante?

Vivemos cercados por estímulos: redes sociais, notícias, sons, luzes, mensagens.

O excesso de informação cansa a mente e gera ansiedade.

Pratyahara é uma pausa sagrada.

Quando recolhemos os sentidos, damos à mente a chance de repousar, como um lago que se acalma quando o vento para.

Só com as águas calmas conseguimos ver o fundo.

 

️ Como praticar Pratyahara?

Pratyahara começa com pequenos gestos de silêncio e recolhimento. Não é preciso se isolar do mundo, mas criar espaços de quietude no dia a dia.

 

Veja algumas formas simples:

 

  • Fechar os olhos e observar o corpo

Durante a prática de Yoga ou meditação, feche os olhos e leve a atenção para dentro. Sinta a respiração, os batimentos do coração, o toque do chão.

Essa atenção interior é o início de pratyahara.

 

  • Ficar em silêncio por alguns minutos

Escolha um momento do dia para simplesmente estar em silêncio. Desligue aparelhos, feche os olhos, respire fundo. Escute os sons ao redor sem se prender a eles. Observe o silêncio que existe mesmo no meio do som.

 

  • Fazer uma caminhada consciente na natureza

Caminhe com os olhos mais atentos ao interior do que ao exterior. Perceba a respiração, o toque dos pés no chão, o vento na pele.

Mesmo com os sentidos funcionando, você os usa com presença, e não se perde neles.

 

🌱 Benefícios do Pratyahara

  • Acalma o sistema nervoso.
  • Reduz ansiedade e agitação mental.
  • Prepara o praticante para a concentração (dharana) e a meditação (dhyana).
  • Ensina a não reagir automaticamente aos estímulos externos.
  • Promove autoconhecimento e sensibilidade.

 

️ O silêncio é uma medicina

Pratyahara nos ensina que o mundo interior é vasto e cheio de sabedoria. Quando nos recolhemos, ouvimos a voz do coração, sentimos a intuição e percebemos o que realmente importa.

É como voltar para casa depois de um dia muito barulhento: ali dentro mora a paz.

 

️ Dicas para cultivar Pratyahara no cotidiano:

 

  • Faça pausas silenciosas durante o dia.
  • Diminua o tempo de exposição a telas e notícias.
  • Pratique Yoga e meditação de olhos fechados.
  • Valorize momentos de solidão como momentos de escuta interior.
  • Use menos estímulos durante as práticas (luzes suaves, sons calmos).

 

Pratyahara é um abraço no próprio ser.

É o início do mergulho na alma. Quando aprendemos a fechar os olhos para fora, o mundo dentro de nós começa a florescer.

 

Vamos então com carinho e clareza ao 6º passo do Yoga segundo Patañjali: Dharana – o poder de focar a mente, de criar direção e estabilidade no pensamento.

 

6º Passo – DHARANA

Concentração – foco e presença no aqui e agora.

 

A mente humana é como um macaco inquieto: pula de galho em galho, de pensamento em pensamento. Dificilmente ela se aquieta.

Dharana é o momento em que aprendemos a treinar essa mente, ensinando-a a parar de pular, a ficar presente, a se concentrar num único ponto com calma e firmeza.

 

🧠 O que é Dharana?

A palavra dharana vem da raiz dhri, que significa “segurar”, “manter” ou “sustentar”.

É o ato de manter a mente focada, sem se deixar distrair.

Não se trata de “forçar” a mente, mas de cultivá-la como quem cuida de um fogo sagrado, mantendo a chama acesa com constância.

 

Imagine uma lente de aumento. Quando a luz do sol passa por ela de forma concentrada, ela pode até acender o fogo. Assim também é a mente: quando focada, ela se torna poderosa, clara e criativa.

 

🌿 O caminho natural após Pratyahara

Depois que aprendemos a recolher os sentidos (pratyahara), a mente já não está tão agitada.

Então ela pode ser guiada com mais facilidade para um único objeto de atenção.

Esse objeto pode ser:

 

  • A respiração.
  • Uma vela.
  • Um mantra.
  • Uma imagem sagrada.
  • Uma sensação no corpo.
  • Um pensamento elevado ou sentimento de amor.

 

Ao manter a mente gentilmente nesse ponto, estamos praticando dharana.

 

️ Como desenvolver Dharana na prática?

A concentração pode ser treinada aos poucos.

 

Veja práticas simples e acessíveis:

 

  • Contar respirações

Sente-se confortavelmente e conte 10 respirações (inspirar e expirar é uma). Se a mente se distrair, volte ao número 1 sem se julgar. É um exercício excelente para iniciantes.

 

  • Observar uma vela

Fixe os olhos na chama de uma vela por 1 ou 2 minutos, com respiração calma. Depois feche os olhos e veja se consegue manter a imagem da chama dentro de você.

 

  • Repetir um som ou palavra (mantra)

Escolha uma palavra significativa, como “Paz”, “Om”, “Amor”, e repita em silêncio com cada respiração. Sempre que a mente fugir, traga-a de volta com suavidade.

 

  • Concentrar-se em uma parte do corpo

Durante a prática de Yoga ou relaxamento, leve a atenção, por exemplo, ao coração ou às mãos. Sinta, escute, esteja lá.

 

🌱 Benefícios de Dharana

  • Acalma a mente e reduz pensamentos excessivos.
  • Desenvolve foco, memória e clareza mental.
  • Diminui ansiedade e distrações.
  • Aumenta a produtividade com menos esforço.
  • Prepara o praticante para a meditação profunda.

 

🎯 A mente focada é uma mente livre

Ao invés de ser arrastado pelos pensamentos, o praticante de dharana escolhe onde colocar a atenção. Essa escolha liberta, fortalece e transforma. É como um rio que para de se espalhar e começa a correr forte em uma única direção.

 

️ Dicas para cultivar Dharana no cotidiano:

 

  • Faça uma coisa de cada vez (atenção plena).
  • Evite excesso de estímulos visuais e sonoros.
  • Crie pequenos momentos de silêncio focado.
  • Treine a mente com amor, como quem cuida de uma criança inquieta.

 

Lembre-se: cada vez que você volta ao foco, está fortalecendo seu “músculo da atenção”.

 

Dharana é o primeiro vislumbre da verdadeira meditação.

É o momento em que a mente para de correr e começa a descansar no agora. E nesse instante, a paz se revela.

 

Vamos agora ao 7º passo do Yoga segundo Patañjali: Dhyana – a meditação, o estado de atenção contínua e amorosa.

 

7º Passo – DHYANA

Meditação – a mente que repousa em silêncio

 

Depois que aprendemos a concentrar a mente em um único ponto (dharana), algo sutil começa a acontecer: a atenção se mantém sozinha, com naturalidade, sem esforço.

Esse estado de atenção plena, constante e tranquila é o que Patañjali chama de dhyana – a meditação.

 

Diferente do que muitos pensam, meditar não é esvaziar a mente. É simplesmente observar com presença, estar inteiro, acolher o momento sem se apegar, sem rejeitar, sem julgar.

 

🧘 O que é Dhyana?

A palavra dhyana significa “contemplação profunda”. É quando a mente repousa suavemente num estado de atenção contínua, como uma chama que não vacila.

É o momento em que a prática se torna natural, sem precisar de esforço para “voltar ao foco”, porque não há mais separação entre quem observa e o que é observado.

 

Na prática, dhyana pode se manifestar assim:

 

  • Você se senta em silêncio e simplesmente permanece.
  • A respiração flui, a mente não briga mais, o corpo está presente.
  • Pensamentos podem vir, mas não “grudam”. Você os vê passar como nuvens.
  • Existe um sentido de paz, unidade e silêncio vivo.

 

🌿 Como chegar à meditação?

Dhyana não se força — ela acontece. Mas pode ser preparada e cultivada com carinho.

 

Veja caminhos que facilitam essa transição de concentração para meditação:

  • Estabilidade corporal (asana)

Um corpo relaxado, porém estável, ajuda a mente a se aquietar.

  • Respiração calma (pranayama)

Respiração lenta, profunda e suave favorece o estado meditativo.

  • Foco gentil (dharana)

Comece com um objeto de atenção (mantra, respiração, som, imagem), e permita que a concentração se aprofunde.

Com o tempo, o foco se dissolve… e o silêncio se torna presença.

 

 

️ Formas acessíveis de meditar

A meditação pode ser simples e adaptável para todos.

Alguns exemplos:

 

  • Meditação guiada com palavras suaves

Relaxar o corpo, respirar e imaginar paisagens ou sentimentos de paz.

 

  • Meditação no som (Japa ou Om)

Repetir suavemente um mantra como “Om” ou “Shanti” (paz), sentindo a vibração.

 

  • Meditação no coração

Levar a atenção ao coração, sentir o calor, o pulsar, a luz interior.

 

  • Meditação caminhando

Dar passos lentos com consciência, prestando atenção ao contato dos pés com o chão e à respiração.

 

🌱 Benefícios de Dhyana

  • Promove paz interior.
  • Diminui o estresse e a ansiedade.
  • Melhora o sono, o humor e a concentração.
  • Aproxima você do seu centro espiritual.
  • Desenvolve compaixão, clareza e equilíbrio emocional.

️ Meditar é voltar ao lar interior

É sentar-se consigo mesmo sem pressa, sem querer mudar nada. É encontrar no silêncio a companhia mais amorosa que existe.

Na meditação, descobrimos que não somos os pensamentos, nem os sentimentos passageiros — somos algo maior, mais calmo, mais luminoso.

 

️ Dicas para cultivar Dhyana no cotidiano:

 

  • Comece meditando de 2 a 5 minutos por dia.
  • Medite sempre no mesmo horário e lugar, se possível.
  • Mantenha uma postura estável e confortável.
  • Observe com aceitação: não lute contra os pensamentos.
  • Finalize sempre com gratidão e um momento de silêncio.

 

Meditar é abrir um espaço dentro de si onde o mundo inteiro pode descansar. É o florescer do Yoga no coração. É a escuta do divino que habita em cada ser.

 

Vamos então ao 8º e último passo do Yoga segundo Patañjali: Samadhi – a culminação da jornada interior, onde o praticante experimenta a união com o Todo, com o Ser, com o Sagrado.

 

8º Passo – SAMADHI

União – a liberdade da mente e o despertar da alma

 

Depois de percorrer os sete passos anteriores – ética, disciplina interior, postura, respiração, recolhimento, concentração e meditação – o praticante está preparado para Samadhi, o estado mais elevado do Yoga.

É quando o ego se dissolve, o tempo desaparece, e resta apenas a consciência plena, silenciosa, amorosa e una com tudo.

 

🧘 O que é Samadhi?

Samadhi significa literalmente “absorção”, “integração completa”.

É o momento em que o praticante, o objeto de meditação e o ato de meditar se tornam um só.

Não há mais separação entre “eu” e o mundo.

É o mergulho na totalidade, o repouso absoluto na essência da vida.

 

Samadhi não é fuga do mundo, mas o estado de presença total, onde não há sofrimento, medo, desejo ou dúvida.

É paz pura, amor sem forma, plenitude sem esforço.

 

🌿 Como se manifesta o Samadhi?

Patañjali descreve diferentes níveis de Samadhi, mas o mais essencial para nossos corações é saber que ele pode se manifestar como momentos de profunda lucidez e unidade, mesmo que breves.

 

Você talvez já tenha sentido um vislumbre de Samadhi quando:

  • Estava profundamente em silêncio e sentiu que “tudo estava bem”.
  • Sentiu um amor tão grande que não cabia em palavras.
  • Olhou a natureza e se sentiu parte dela, sem separação.
  • Teve uma intuição clara, um entendimento sem lógica, mas cheio de verdade.
  • Estava presente, em paz, sem desejar nada, apenas sendo.

 

Esses são sinais de que o Samadhi não é algo distante, mas uma realidade que vive em nós e pode ser tocada com a prática constante e o coração sincero.

 

🌱 O que Samadhi não é:

  • Não é desmaio, transe ou fuga da realidade.
  • Não é um “prêmio” reservado apenas a grandes mestres.
  • Não é algo para se exibir ou conquistar.

É rendição, é entrega total ao fluxo da vida e à consciência amorosa que tudo permeia.

 

️ Samadhi no cotidiano

Embora o Samadhi completo possa ser raro e profundo, todos podemos cultivar uma vida mais samádhica:

  • Sendo mais presentes em cada ato.
  • Acolhendo a vida com gratidão, mesmo nos momentos difíceis.
  • Vivendo com compaixão, sem tanto apego a “eu, meu, para mim”.
  • Abrindo o coração à sabedoria do silêncio.

 

🌸 O fruto do Yoga

Patañjali diz que o objetivo do Yoga é “cessar as flutuações da mente” (Yoga chitta vritti nirodhah).

Quando a mente se aquieta completamente, o que sobra? A alma reconhece sua natureza verdadeira: paz, luz, liberdade.

 

Samadhi é a flor que nasce do solo cultivado com os outros sete passos.

Mas essa flor não tem pressa: ela desabrocha quando o coração está pronto.

 

️ Vivendo o Samadhi na simplicidade:

 

  • Escute com presença.
  • Olhe alguém nos olhos com verdade.
  • Respire fundo e sinta-se parte do todo.
  • Sirva com amor, sem esperar nada em troca.
  • Cultive o silêncio interior — ele é a porta da alma.

 

Samadhi é o lar silencioso de onde viemos e para onde voltamos quando nos despimos das ilusões.

É a consciência sem forma, o amor sem nome, a luz que brilha sem precisar ser acesa.

Não se busca Samadhi, ele floresce quando nos tornamos humildes, atentos e abertos.

 

Por Altemir Berti – instrutor de yoga e terapeuta integrativo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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